100 anos de militância a caminho do futuro

1921-2021

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

ALBINO SALGADO (N. 1913)

ALBINO SALGADO (N. 1913)

 

Militante e dirigente das Juventudes Comunistas em 1932.

Filho de Maria das Dores Branco Salgado e de Jaime António Baião Salgado, Albino Salgado terá nascido em 1913, em Sines.

 

Empregado do comércio a viver em Lisboa, na Travessa do Giestal, foi preso em 18 de Outubro de 1932, por «fazer parte das Juventudes Comunistas Portuguesas», a que aderiu por intermédio de Virgínio de Jesus Luís.

 

Ingressou na Célula N.º 11 e participou nos acontecimentos ocorridos em Santo Amaro em 29 de Fevereiro de 1932.

 

Segundo o seu Cadastro Político, Albino Salgado organizou, depois, uma nova célula, a N.º 42, composta por José Luís, José Maria dos Santos e Leopoldo Gonçalves Henriques, ficando ele como Secretário e assegurando as ligações ao Comité de Zona N.º 4. Também passou a integrar este, juntamente com Júlio dos Santos Pinto e Virgílio de Jesus Luís.

 

Na sequência de uma conferência regional das Juventudes Comunistas, ascendeu ao Comité Regional de Lisboa, formado por Elísio Monteiro (pseudónimo Azevedo), João "Cara Linda", Virgínio de Jesus Luís e dois outros de que só se conhecem os pseudónimos "Freire" e "Borodine", ficando responsável Albino Salgado pela "organização dos Pioneiros". Entretanto, o Comité de Zona N.º 4 passou a ser constituído por Francisco Sampaio, Júlio dos Santos Pinto, Lúcio Augusto Pereira e Virgínio de Jesus Luís, para além de Albino Salgado que continuava como responsável pela Célula 44.

 

No âmbito das suas responsabilidades, envolveu-se nos preparativos da 18.ª Jornada das Juventudes Comunistas, de forma a celebrar-se o Dia da Juventude em 4 de Setembro de 1932: distribuiu entre os camaradas exemplares de "O Jovem" e cartazes de propaganda e preparou, com Virgínio de Jesus Luís, a tinta vermelha destinada à pintura de inscrições nas paredes e desenho de foices e martelos. Jorge Monteiro ajudou na distribuição de pequenas latas com tinta.

No dia 4 de Setembro realizou-se, em Alcântara, a manifestação e o comício-relâmpago com a participação de Francisco de Paula Oliveira enquanto orador e estando presentes, entre outros, Domingos dos Santos - "O Calabrez", Manuel dos Santos e Pedro Batista da Rocha, tendo-se gritado vivas ao Comunismo, às Juventudes Comunistas e à URSS e abaixo a Ditadura e o Capitalismo. Na sequência dos confrontos havidos, Albino Salgado assistiu ao baleamento de José Ruas Ferreira, que era portador de uma bandeira comunista e viria a falecer no hospital.

 

Quando da sua detenção [Processo 568], Albino Salgado estava na posse de 200 exemplares de "Frente Vermelha", o novo órgão das Juventudes e do Partido, estando encarregado de o distribuir no Barreiro e enviá-lo para Espanha. Foi, então, considerado «um elemento perigosíssimo, em virtude da grande actividade desenvolvida não só na reorganização das Juventudes, como também na preparação da agitação de 4 de Setembro último, o que prova que apesar de apenas contar 19 anos de idade, é já um elemento de autêntico valor dentro da organização extremista».

 

Julgado pelo Tribunal Militar Especial em 16 de Dezembro de 1933, foi libertado em 19 de Dezembro por ter sido amnistiado [Processo 11/933, do TME].

Novamente preso em 18 de Dezembro de 1934, acusado de fazer parte das Juventudes Comunistas Portuguesas [Processo 1303], foi libertado em 24 de Dezembro, por falta de provas.

Fontes:

 

ANTT, Livro de Cadastrados 4 [Albino Salgado / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-4-NT-8904].

ANTT, Cadastro Político 5247 [Albino Salgado / PT-TT-PIDE-E-001-CX05_m0519, m0519a, m0519b, m0519c].

[João Esteves - Blogue Silêncios e Memórias / https://silenciosememorias.blogspot.com/.../2355-albino...].

 

sábado, 17 de outubro de 2020

Mural alusivo ao Centenário do Partido

Mural alusivo ao Centenário do Partido

Membros da Organização Concelhia do Seixal do PCP pintaram, no passado domingo, um mural alusivo ao Centenário do Partido, cujas comemorações tiveram início a 6 de Março deste ano, com um comício no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, e terminam a 6 de Março de 2022, num outro comício.

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

O PCP e a nossa história


«É também uma lição da história e uma evidência da actual situação internacional que as forças agressivas do imperialismo se apoiam sempre, além fronteiras, nos regimes e nas forças mais reaccionárias, apoiando estes por sua vez.»
 

Álvaro Cunhal


Discurso, Checoslováquia (1967)

 

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

HORTÊNSIA DA SILVA (n. 1932)

Fotografia de Hortênsia Dias editada a partir da sua fotografia na ficha prisional, em 1962.

HORTÊNSIA DA SILVA (n. 1932)

Enfermeira antifascista, liderou, juntamente com a irmã, um movimento de enfermeiras que, na década de 50, enfrentaram Salazar, indo contra a proibição do casamento daquelas profissionais - imposta por força de um decreto que impedia as mulheres casadas ou viúvas com filhos de exercerem enfermagem nos hospitais civis. Activista do MUD Juvenil, bateu-se contra o regime, tornando-se uma figura emblemática da luta na Resistência. Esteve presa em Caxias por duas vezes.

1. Hortênsia Assunção Dias da Silva nasceu em Portimão a 30 de Julho de 1932, filha de Francisco Dias da Silva e de Maria Assunção da Silva. Era irmã de Isaura Assunção da Silva Borges Coelho (ver biografia em Antifascistas da Resistência) e casou com Emílio Campos Lima.

Tirou o Curso de Enfermagem na Escola de Enfermagem Artur Ravara e iniciou imediatamente funções de enfermagem nos Hospitais Civis, em Lisboa. Em 1953, um ano depois de doze enfermeiras do Hospital Júlio de Matos terem sido expulsas e impedidas de exercer a sua profissão em todo o país por terem casado, Hortênsia e Isaura lançaram um movimento de contestação do decreto-lei [nº 28794, de 1 de Julho de 1938], que impedia as mulheres casadas de serem enfermeiras nos hospitais civis (1). Reclamavam, então, num abaixo-assinado a Salazar, o fim da obrigatoriedade do celibato. Em 1954, Hortênsia trabalhava no Hospital de São José quando foi presa pela PIDE. A irmã havia sido presa em Novembro de 1953 e ela dera seguimento à luta, e entregara o abaixo-assinado a Salazar (2). Detida a 1 de Maio de 1954, e conduzida para a sede da PIDE, era acusada de actividades subversivas e ligação ao PCP. Manteve que pertencia ao MUD Juvenil e que não prestava mais declarações, o que determinou ser confrontada com pesados interrogatórios.

Ficou no Forte de Caxias até ser julgada em Tribunal Plenário. Em 3 de Fevereiro de 1955, foi absolvida e libertada.

Voltou a ser presa em 30 de Novembro de 1962 e foi libertada após alguns dias de detenção em Caxias. Em 1963, as enfermeiras viram, finalmente, reconhecido o direito a casar (3). Hortênsia já tinha casado, mas é nesse ano que o seu marido, o antifascista Emílio Campos Lima ( que havia estado preso em 1953) é obrigado ao exílio; parte para Paris, de onde só regressa em 30 de Abril de 1974, no avião em que voltaram a Portugal quatro dezenas de exilados políticos.

2. Logo após Abril de 1974, Hortênsia Campos Lima publicou o livro «O Aniversário do m/P.B., Edições Sociais – Episódios da Resistência Antifascista/ contados por quantos a viveram» (4). Deu testemunhos da luta das enfermeiras e do MUD Juvenil, em várias ocasiões.

O Documentário “Processo-Crime 141/53- Enfermeiras no Estado – Novo” (2000), de Susana de Sousa Dias, conta a história das duas irmãs enfermeiras – Isaura Borges Coelho e Hortênsia Campos Lima - que contestaram a obrigação do celibato. Tem sido exibido em diversas ocasiões, nomeadamente em 2012, no ciclo de cinema documental que decorreu na Fortaleza de Peniche, no âmbito da temática da Liberdade.

No dia 8 de Março de 2007 teve lugar um colóquio subordinado ao tema “A Mulher e a Resistência” na Biblioteca-Museu República e Resistência; foi projectado o referido documentário e as duas irmãs estiveram presentes e deram o seu testemunho sobre o cárcere e da vida na Resistência antifascista.

No dia 8 de Março de 2018, teve lugar no Museu do Aljube a sessão “A Luta das Enfermeiras contra a Ditadura”, que ainda pôde contar com a presença de Isaura Borges Coelho (já doente).

Notas:

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(1) O decreto-lei nº 28794, de 1 de Julho de 1938, estabelecia no artigo 60 que «Nos lugares dos serviços de enfermagem e domésticos (serviço interno) a preencher por pessoal feminino, só poderão de futuro ser admitidas mulheres solteiras e viúvas, sem filhos, as quais serão substituídas logo que deixem de verificar-se estas condições». A proibição do casamento das enfermeiras só terminaria, depois de longa luta, com o decreto nº 44923, de Março de 1963.

Na verdade, a proibição do casamento das enfermeiras e a luta pela sua revogação marcam 25 anos da história da enfermagem e dos movimentos feministas durante o Estado Novo. Assente numa imagem de mulher limitada ao trabalho doméstico, para quem a família representa o centro exclusivo da sua vida, não é possível dissociar tal imposição legislativa da definição dos papéis sexuais veiculado pelo Estado, bem como do postulado tradicional da função cuidadora e maternal feminina. Além do impedimento do trabalho feminino em certos sectores ou o acesso das mulheres a determinadas profissões, foram ainda impostas restrições de índole vária a algumas profissionais. Além disto, o trabalho nos hospitais era extremamente penoso, com turnos de doze horas que, muito frequentemente, se prolongavam por 24 horas. As enfermeiras estavam ainda sujeitas a trinta velas de doze horas consecutivas, apenas intervaladas por uma folga semanal. Estas condições de trabalho inspiraram a luta das enfermeiras, nas décadas de 50 e 60, em defesa da melhoria das condições de trabalho e dos cuidados de saúde nos hospitais.

.(2) Sua irmã Isaura Silva Borges Coelho esteve presa durante 4 anos.

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(3) A proibição do casamento das enfermeiras só terminou, depois de longa luta, com a publicação do decreto nº 44923, de Março de 1963.

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(4) Título alusivo ao incidente ocorrido nos interrogatórios, em que foi duramente confrontada com as inicias MPB (Meu Primeiro Beijo), anotadas na sua agenda. A PIDE insistia, para obter a confirmação de que essas letras seriam respeitantes a "Meu Partido Bolchevique".

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Biografia em co-autoria de Helena Pato e Maria João Dias

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Fontes:

https://www.memorial2019.org/site/presos

http://www.acomuna.net/…/3908-o-celibato-das-enfermeiras-do…

https://digitarq.arquivos.pt/viewer?id=4302087

https://www.delas.pt/susana-de.../conversa-delas/414383/

http://casacomum.org/cc/arquivos?set=e_3580/t_Documentos

https://www.facebook.com/FascismoNuncaMais/posts/830229767086404/

https://silenciosememorias.blogspot.com/.../2148-isaura...

Fotografia de Hortênsia Dias editada a partir da sua fotografia na ficha prisional, em 1962.